De Volta aos Clássicos
É um lugar comum dizer que "a pena é mais poderosa do que a espada"; mas qual é, verdadeiramente, o alcance desta frase? Habituados que estamos a considerá-la apenas na sua vertente política, enquanto retrato da capacidade inegável da obra escrita para mudar hábitos, opiniões, formas de pensar e de agir, esquecemos frequentemente, uma vertente, no meu entender, bastante mais importante que é a capacidade da escrita para modificar formas de sentir ou despoletar sentimentos. O que hoje vos proponho é quase um regresso ao verdadeiro poder da pena através da leitura de dois romances de outros tantos gigantes da literatura portuguesa e mundial: Wuthering Heights (O Monte dos Vnetos Uivantes na tradução portuguesa) de Emily Brontë e David Copperfield de Charles Dickens. Apesar das diferenças intrínsecas que os separam, quanto mais não fosse devido aos estilos únicos dos seus autores, partilham o facto de serem dois romances que, apesar de terem visto o seu conteúdo trivializado pelo passar dos anos, superaram o teste dos mesmos pela força única que os seus autores conseguiram imprimir à sua forma.
Wuthering Heights, única obra de Emily Brontë, publicado em 1847 (um ano antes da sua morte) permanece talvez como a mais poderosa história de amor alguma vez escrita. Por detrás do seu estilo evocativo, que nos arrasta totalmente para dentro da narrativa, esconde-se um romance com uma estrutura incrivelmente complexa onde se movem personagens de uma profundidade quase assustadora. Assustadora também é a sensualidade latente em todo o texto mas nunca explicitada, em profundo contraste com a sensualidade esvaziada pela explicitação tantas vezes gratuita a que a maioria dos autores contemporâneos nos habituaram.
Wuthering Heights, única obra de Emily Brontë, publicado em 1847 (um ano antes da sua morte) permanece talvez como a mais poderosa história de amor alguma vez escrita. Por detrás do seu estilo evocativo, que nos arrasta totalmente para dentro da narrativa, esconde-se um romance com uma estrutura incrivelmente complexa onde se movem personagens de uma profundidade quase assustadora. Assustadora também é a sensualidade latente em todo o texto mas nunca explicitada, em profundo contraste com a sensualidade esvaziada pela explicitação tantas vezes gratuita a que a maioria dos autores contemporâneos nos habituaram.
Arrasada pela crítica da altura, talvez pouco preparada para uma história em que o herói do livro não só não é totalmente bom como é intrinsecamente mau e cruel, a história de amor para além da morte de Catherine e Heathcliff chegaria aos nossos dias como a mais perfeita fusão da grandeza poética do romantismo com a violência caótica do realismo, considerada por muitos como o melhor romance da literatura inglesa (...)
João Carlos Henriques

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