Wednesday, December 07, 2005

Morro das Ilusões

O Morro das Ilusões nasceu de uma vontade de transcrever o que nunca escrevi, mas que em algum momento senti profundamente dentro de mim. Existem várias facetas desta minha "ilustre" personalidade. Não sei por quantas vezes estive procurando tais "verdades". Talvez por toda a minha vida.
Houve um ponto de partida. Uma inspiração tão sutil quanto enraizada de colocar, de certa forma, disponível, eu mesma.Certamente, a certeza de que a "sua" opinião não me fará cair, ou a fé que me impulsiona sobre as minhas próprias palavras, que deixam de ser apenas palavras e passam a descrever um ser.
É a primeira vez que escrevo para mim mesma como se travasse um diálogo, ou melhor, como se me narrasse. Quem sabe, uma outra forma de "atuar", para ir além... Sempre além.
Existem mil maneiras de extravasar o sentimento, e onde mais me tenho tornado hábil, certamente, é na escrita. Deve ser uma das minhas heranças do tempo de colégio, onde dissertar era um dos maiores prazeres que sentia diante de um tema qualquer; pronto para ser explorado, esmiuçado, "estimulado". Uma vez escutei que tinha o "dom" da palavra! Não é atoa que me qualifico em uma área onde saber persuadir é imprescindível para sobreviver! É muito mais fácil jogar quando se sabe usar bem as palavras, mas quantas vezes já cai na minha própria armadilha? Quantas vezes as tão intimas palavras me faltaram, me trairam, ou me largaram sozinha contra a multidão? Vejo dois lados desta coisa toda. Um é muito prático e necessário, outro é profundo e tocante. Sinto, certas palavras, como uma junção de mil sinfonias ecoando em meus ouvidos... Porque estas são belas melodias quando bem "traçadas", devidamente usadas, adequadamente aplicadas...E, principalmente, quando sustentadas por um sentimento. “As palavras têm poder”, me disseram certa vez. Ainda bem que nunca duvidei!
Um dia, senti tanta coisa (...) Que mal podia escrever. Daí me disseram que se eu não conseguisse superar esta barreira e ir além, não poderiam "beber" do meu ser. Acontece que não escrevo para alguém! Apenas eu mesma sou o alvo disso tudo. Nada fora de mim é o meu objetivo, não mais! Gosto de "me ler" a tempos atrás e perceber o que se revela através das mesmas palavras usadas de forma, agora, tão diferentes! Denotando toda uma mudança, ou não, de mim mesma. Isso parece um joguinho psicológico, daqueles que pegamos em uma revista e saímos traduzindo o nosso ser. Só que faz sentido! Eu e minha mania de encontrar um sentido para tudo... Mania de querer controlar as coisas (...) As minhas coisas, os meus sentimentos... Parece que só em devaneios, seguros em minha cama, me permito ir além.
Algumas situações da vida me impuseram um senso IRRITANTE de responsabilidade, que durante muito tempo confundia com passividade. É Esta segurança ilusória que buscamos... Para justificar as nossas vidinhas, quase medíocres. Como se fosse possível estar a salvo em algum cofre de banco! Daí o nome... Ilusões... Agora me diz, o que é real? E tem mais, saber disso importa?
É difícil se libertar de velhos hábitos, mas estou disposta a brincar com as possibilidades. Isso! Chega a ser excitante! Por que não deixar as coisas se revelarem e enquanto isso ir testando cada possível escolha, acerto, sinal?
Estou com sono agora e me veio mil coisas na cabeça, tenho alguns "rituais" a cumprir, até que tudo finalmente se acabe de uma vez, e eu possa subir no seu topo e conseguir enxergar de onde eu vim.
Boa noite e até mais.

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